Saturday, October 09, 2010

Os Fantasmas de Sintra

Ainda hoje temo pisar esse chão,
ainda hoje temo revisitar os quadros dessa viagem,
que decorei,
cada fotografia emoldurada na janela do comboio,
o nevoeiro, o cheiro do incenso, a prisão do desejo,
o medo, o vento...
esses caminhos, nas esperas, nas despedidas,
nos sítios, das pessoas,
os monstros daquele jardim que vão proteger para sempre a última memória,
não sei se já percebi o que aconteceu,
suspeito, mas não tenho a certeza, nem nunca vou ter,
só sei aquilo que é meu,
Numa noite destas fui atacado por um sonho,
sei porque sonhei contigo,
porque não te defendi, não defendi a importância que tiveste,
Mas sei, que os fantasmas existem,
que todas as minhas recordações estão assinadas com o sangue deles,
que quando pisar esse chão vou sentir o corpo gélido,
porque tu exististe, e existes,
e que apenas me deixaste os fantasmas de Sintra

5 comments:

csa said...

Está giro, este texto!
Foste tu que os escreveste?
Fez-me lembrar "O mistério da estrada de Sintra", que Eça de Queirós escreveu com Ramalho Ortigão e que eu só li aí há 3 ou 4 anos.
Abraço.

Miguel Garcia said...

Olá Csa. Obrigado =)

Fui, tive uma passagem por Sintra na minha vida, que me marcou bastante.
Por acaso não li, mas fui agora mesmo ao Wook adicionar a lista =)
Abraç

Rita Oliveira said...

Queria dar-te os parabéns pelo mestrado... Parabéns! *

Daniela Sophia said...

Gostei imenso deste "devaneio da caneta" ;)

Miguel Garcia said...

Thanks =)
Este é amaldiçoado